Coprocessamento avança 374% na indústria cimenteira

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Sobral. Com capacidade de produção de 1,5 milhão de toneladas de cimento a granel e ensacado por ano, a unidade da Votorantim Cimentos, neste Município do Norte do Estado, chama atenção por ser uma das mais importantes representações da empresa em todo o Nordeste. A indústria, que mantém seus fornos em pleno funcionamento 24 horas por dia, de domingo a domingo, gera 482 empregos diretos e indiretos e também aquece o mercado interno no Interior do Ceará e nos Estados do Maranhão e Piauí, com a venda de cimento ensacado.

Sustentabilidade

A fábrica de cimento de Sobral se destaca também pelo processo produtivo de última geração, utilizando o coprocessamento, que reduz a emissão de gases associados ao efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO2). A tecnologia permite a destinação adequada para uma lista ampla de resíduos, como os sólidos urbanos e pneus, entre outros. Esses materiais formados de biomassa (vindos da própria natureza) ou de resíduos industriais de outras empresas, são usados como energia, substituindo parcialmente o combustível utilizado nos fornos de cimento, além de terem sua correta destinação e eliminação, impedindo que os mesmos poluam a natureza, como ainda acontece no mundo.

Coprocessamento

Todos os meses a empresa recebe do Rio Grande do Norte, Maranhão, Piauí e de algumas cidades do Ceará, cerca de 1.200 toneladas de resíduos triturados, de fábricas (borras oleosas, resinas, látex, materiais impróprios para reúso, tecidos e até coco de babaçu), e outras 3 mil toneladas de biomassa, vindos do Maranhão e Piauí. Após o estoque, o material segue para ser coprocessado nos fornos. Cerca de mil pneus triturados são consumidos todos os dias pelas chamas, livrando o meio ambiente de um perigo sem precedentes.

Considerado como problema crescente e grave de saúde pública, o resíduo de pneu, quando empilhado, serve de criadouro para mosquitos transmissores de doenças. Sua queima, sem um rígido controle, que diminui a emissão de poluentes, libera óleo pirolítico, que contém diversos produtos químicos tóxicos e metais pesados capazes de produzir efeitos nocivos à saúde. Segundo Adriano Amado, supervisor industrial, “A importância de todo esse trabalho é que você deixa de usar combustíveis derivados de petróleo, ajuda a natureza e diminui a emissão de CO2, oferecendo um leque de ganhos para a indústria e o meio ambiente”, ressaltou.

Ampliação da atividade

Iniciada em 1991, como projeto piloto, a tecnologia do coprocessamento em Sobral vem sendo consolidada, ao longo dos anos, com forte tendência ao crescimento. O fortalecimento da atividade, juntamente com o desenvolvimento socioambiental, é resultado do aumento da visão de responsabilidade social por parte das empresas, no que diz respeito à destinação correta dos resíduos. Neste ano, a atividade, que gerou novos empregos e uso de tecnologias mais avançadas dentro, segue para a fase de ampliação como negócio, tocado com outras parcerias.

Segundo o consultor Carlos Yuri Leão, essa atividade agrega valor de impacto positivo na sociedade, com a geração de renda na possibilidade de novos negócios. “Estamos fechando parceria com uma empresa de produção de coque de petróleo (CPV), da queima do carvão mineral, que vai nos fornecer o pó resultante desse processo para uso como combustível”, disse.

Uma outra parceria desenvolvida com o município de Sobral e o Governo do Estado vai garantir que o combustível derivado de resíduos provenientes de sólidos urbanos gerados na região seja condicionado e utilizado no forno. “Assim evitaremos que esses resíduos sejam dispostos em aterros e reduziremos o consumo de combustível sólido trazendo impacto positivo à sociedade”, garantiu o consultor.

Números nacionais

Os números da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) evidenciam o crescimento do coprocessamento de resíduos no setor, apresentados no relatório Panorama do Coprocessamento Brasil 2015, produzido pela entidade. De acordo com o estudo, o volume coprocessado em 2014 representa a eliminação de um passivo ambiental de 1,12 milhão de toneladas, incremento de 374% em relação ao ano 2000.

Pioneira no País, a Votorantim Cimentos atualmente é responsável por mais de 50% de todo o volume de resíduos coprocessados pelo setor. A fábrica de Sobral elimina cerca de 23 mil toneladas de resíduos por ano, reduzindo passivos ambientais significativos. Outra forma de coprocessamento é a substituição do ferro pelo chamado pó de aciaria. Neste caso, o resíduo do processo de siderurgia é usado como matéria-prima na indústria cimenteira, contribuindo para tornar o processo fabril mais ecoeficiente. Nas duas situações, o coprocessamento evita a destinação inadequada de lixo industrial e reduz a emissão de gás carbônico, um dos maiores responsáveis pelo aquecimento global.

Aproveitamento

Em 2014, 37 unidades (62% do parque industrial cimenteiro no Brasil) estavam licenciadas para o coprocessamento de resíduos. O relatório da ABCP aponta que os materiais coprocessados com potencial energético, em 2014, representaram 80% do volume total (891 mil toneladas). Enquanto isso, aqueles usados como substitutos de matérias-primas somaram 20% do volume (231 mil toneladas). Entre os resíduos reaproveitados pelo setor, o maior destaque são os pneus, que constituíram 24% (265,5 mil toneladas) durante esse período.

De acordo com o gerente da fábrica em Sobral Rafael Costa Araújo, “o coprocessamento é um assunto que precisa ser discutido com a sociedade, a fim de que todos estejam conscientes das suas vantagens e possamos evoluir. Essa prática consagrada internacionalmente, não gera qualquer alteração na qualidade do produto final, mas promove a eliminação total dos resíduos, com emissões atmosféricas constantemente monitoradas e com grande economia de recursos naturais não-renováveis”, explicou o gerente.

Fonte: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/

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